Programação da Diretoria de Núcleos, Ateliês e Clínica
1o Semestre 2025
Núcleos de Pesquisa
NÚCLEO DE INVESTIGAÇÃO PSICANALÍTICA EM TOXICOMANIA E ALCOOLISMO – NIPTA
Tema do ano: (a) Clínica do excesso: impasses pela via do pequeno a
A contemporaneidade tem sido marcada pela dobradinha do discurso da ciência e do pseudodiscurso capitalista catapultando o objeto a enquanto um mais-de-gozar sem limites, gerando indivíduos desbussolados que rechaçam o Outro e nada querem ceder do gozo.
As toxicomanias/adicções, tidas como soluções sintomáticas representativas dos ditos novos sintomas, apresentam um impasse essencial no processo de estruturação do falasser, quanto à cessão do objeto a, condição de entrada no campo do discurso e seu funcionamento simbólico.
Apresenta-se uma clínica cada vez mais marcada pela presença de falasseres rechassantes da palavra e do Outro, entregues ao imperativo do gozo sem limites e um excesso desenfreado, faltantes da cessão do gozo.
Fabian Nerspastk em sua aula aberta no Núcleo de toxicomania e alcoolismo do Instituto de Psicanálise da Bahia, realizado no dia 15 de março de 2024, referiu que na rede TyA e AMP há três enfoques diferentes para a abordagem da toxicomania e o alcoolismo:
- a relação com a ruptura fálica;
- com o Objeto pequeno a; e
- com o sintoma e a iteração do Um.
Qual o estatuto do objeto a para os sujeitos contemporâneos/toxicômanos, onde não há cessão do objeto? Como lermos o funcionamento do circuito pulsional diante do rechaço ao Outro e as patologias do excesso e como manejar na clínica? Quais os desafios para o analista quanto a sua posição e possíveis direções de tratamento?
Na pesquisa deste ano nos deteremos na relação da toxicomania com o objeto pequeno a, e teremos como inspiração, para além dos impasses da clínica dos integrantes do núcleo, o livro de Domenico Cosenza, “Clínica do excesso: derivas pulsionais e soluções sintomáticas na psicopatologia contemporânea”, onde segundo o autor se trata de uma leitura, uma interpretação resultante de trinta anos de pesquisa.
- Coordenação: Leonardo Mendonça – Mauro Agosti
- Equipe de trabalho: Soledad Torres – Paula Nocquet.
Trabalharemos em um pequeno grupo de coordenação para prepararmos os encontros e assuntos da pesquisa. - Participantes possíveis do NIPTA em 2025:
Psicanalistas e psicólogos que trabalham ou se interessam pela clínica da toxicomania.
Núcleo de Pesquisa sobre Psicoses
O que há de novo nas psicoses? Desafios da clínica atual.
Após um ano de trabalho sobre o tema do autismo, o que nos remeteu aos primórdios da constituição subjetiva, nos sentimos convocadas a voltar às bases, ou seja, ao estudo das psicoses: podemos extrair algo de novo, ao nos determos sobre as psicoses, que orientaria a clínica psicanalítica em seus desafios atuais? Quais seriam as apresentações clínicas da época? Estas questões nos levaram a pensar nas psicoses ordinárias e indagar, além dos conceitos fundamentais, o cotidiano da clínica que tem nos convocado à delicadeza dos divinos detalhes e nos conduz a pensar nos desafios dos diagnósticos nos tempos em que vivemos. Parece que nos encontramos cada vez mais com fenômenos diversos, como sintomas psicossomáticos, adições, transtornos alimentares, entre outros, em casos que parecem apontar para a existência da estrutura psicótica, mas passariam despercebidos por não apresentarem desencadeamentos francos como encontramos nas psicoses extraordinárias. Mas ao que exatamente estamos nos referindo quando falamos de psicoses ordinárias? Em que contexto Miller propôs esse termo e ao que veio responder? No que ele nos ajuda a operar na clínica?
Desta forma, elegemos as psicoses ordinárias como eixo principal de nossa pesquisa, a partir de uma aposta de que seu estudo nos permitirá melhor compreender do que se trata na clínica atual. Considerando o exposto, outras questões instigam nossa pesquisa: qual o lugar da psicose no mundo contemporâneo diante da loucura universal e generalizada? Poderíamos falar de profusão e diluição? Nesse sentido poderíamos falar de uma presença mais constante da psicose na clínica e de uma dificuldade maior em identificá-la e diagnosticá-la?
Encontros
- Início: 24 de março
- Datas: 2as e 4as segundas-feiras de cada mês
- Horário: 20h às 21h30.
- Modalidade: Presencial (moradores da Grande Florianópolis). On-line (moradores de outras regiões).
- Coordenação: Sandra C. da Silveira e Verônica Paola Montenegro
- Comissão de trabalho: Mariana Zelis e Daniella Zichtl Pichetti
- Inscrições: montenegroveronicapaola@gmail.com
- Mensalidade: R$90,00 (R$45,00 para participantes do CPOL ou a partir da segunda inscrição em Núcleos)
NÚCLEO PANDORGA
Núcleo de Pesquisa e Investigação Clínica de Psicanálise com Crianças
O Núcleo Pandorga – Núcleo de Pesquisa e Investigação Clínica de Psicanálise com Crianças – trata de temas relacionados à clínica com crianças e adolescentes e as incidências do discurso analítico em tais campos e nas famílias. Ligado à Nova Rede Cereda Brasil[1], o Núcleo investiga a temática dos sonhos e do fantasma na criança (ROY, 2023) no biênio 2024-2025. Além destes, outros conceitos nos saltaram aos olhos: a fantasia fundamental, as fabulações e ficções das crianças. Tais conceitos se entrelaçam nas produções discursivas e lúdicas das crianças e adolescentes em análise.
Da questão de pesquisa “Da fantasia em Freud ao fantasma em Lacan”, seguimos o percurso freudiano da fantasia como realização de desejo (FREUD, 2016) e da indicação lacaniana de resgatar o além do princípio do prazer (LACAN, 1999) nas fabulações e elaborações ficcionais das crianças em análise. Mas, e o fantasma? Nesse sentido, nossas questões se desdobram: se fantasia e fantasma são conceitos da ordem do intraduzível, qual seria, então, o estatuto do conceito de fantasma no ensino de Lacan?
Assim, o Núcleo Pandorga pretende seguir sua pesquisa em 2025 a partir da articulação de tais conceitos com novas questões que emergem no deslizamento de sua investigação:
- Qual o estatuto do objeto a e sua relação no percurso na construção do fantasma na clínica infantil?
- Se, para o adulto, a análise visa uma travessia do fantasma, como acompanhar a construção do fantasma na criança em análise?
- No caso da construção fantasmática das crianças e adolescentes, como pensar a fragilidade do véu fantasmático (COSENZA, 2024) dos tempos contemporâneos?
Encontros
- Início: 11/03/2025
- Datas: 2as e 4as terças-feiras de cada mês
- Horário: 20h30 às 22h.
- Modalidade: Presencial – na sede do ICPOL.
- Coordenação e inscrições: Maria Luiza Rovaris Cidade (malurcidade@gmail.com) e Valesca Lopes (valescamlopes25@gmail.com)
- Mensalidade: R$90,00 (R$45,00 para participantes do CPOL ou a partir da segunda inscrição em Núcleos).
NÚCLEO DE PESQUISA EM PSICANÁLISE E LITERATURA
Escrita de si
Escrita de si, autoficção e literatura confessional são algumas das nomeações do contemporâneo para este fenômeno expressivo que é a literatura escrita a partir da história de vida e experiências de quem escreve. Ainda que esee gênero literário possa ser encontrado em outras épocas, podemos constatar que ao longo do século XX e neste começo de século XXI esee é o gênero literário em destaque. O que está na causa deste fenômeno? Como a própria existência da psicanálise está articulada a esse tipo de criação?
No último ano de pesquisa do Núcleo lemos “O retrato do artista quando jovem” e “Ulisses” de James Joyce. Eles são textos paradigmáticos para a psicanálise a partir da leitura que Lacan pode fazer. Ali, podemos ir investigando como a escrita literária é capaz de sustentar a produção de um corpo, de um eu. Avançando nessa pesquisa, nos perguntamos se a escrita de si nos textos atuais pode ter também essa característica e essa função.
No discurso do seu recebimento do Nobel, a escritora polonesa Olga Tokarczuk falou sobre a diferença de escritas literárias de cunho autobiográfico que funcionam como coros de uns sozinhos (quando não tocam na dimensão coletiva) e outras que são capazes de produzir um efeito de parábola sobre a existência humana. O que está em jogo na possibilidade de contar uma história pessoal que toque na dimensão coletiva do humano?
E quanto à experiência analítica, podemos dizer que se trata de uma escrita e leitura de si? Éric Laurent, ao contar sobre seu encontro com Lacan, falou que em uma análise se pode extrair do romance familiar alguma coisa como um pequeno conto. Uma análise seria um lugar de uma produção de uma escrita de si?
E quanto ao texto dos testemunhos de fim de análise, o que os difere ou os assemelha com o texto literário autoficcional? Em que medida a análise e o testemunho de fim de análise se articulam com essa experiência literária? Como se aproximam e como se distanciam dela?
- Horário: primeiras e terceiras QUINTAS-FEIRAS, das 20h às 21h30min
- Modalidade: Presencial para residentes em Florianópolis, São José, Palhoça e Biguaçu e On-line, pelo zoom, para demais localidades.
- Coordenação: Gresiela Nunes da Rosa (EBP/AMP)
- Equipe de trabalho: Gustavo Ramos da Silva (EBP/AMP), Eneida Medeiros Santos (EBP/AMP) e Juan Galigniana
- Inscrições:
gresielanr@gmail.com
eneidamedeiros62@gmail.com
gustavofloripa16@gmail.com
jcgaligniana@gmail.com - Mensalidade: R$90,00 (R$45,00 para participantes do CPOL ou a partir da segunda inscrição em Núcleos)